• Malu Baumgarten

Requiem para Elisabeth

Updated: Jun 24, 2020


Deixaste para trás o que era teu, e a mim

Guardiã da parcela de corpo e alma que me legaste

Triste morada para uma estrela da tua grandeza

Escura e fria no rarefeito ar caminho

rumo ao nada que é destino certo

Tudo pensado e considerado,

bem que poderias ter-me levado contigo

Mas não

Deixaste-me, inconsistente e morta

Pele, carne e sangue sem alma

Cheia de remorso e cheia

da dor de saber que eu não estava

na hora da tua partida

Não estava e não vou estar,

Nunca onde e quando era segurar-te com ambas as mãos que me fizeste

iguais às tuas.

Te quero como uma casa vazia quer dentro de si

risos e aromas de comida e a paz da mãe que vela por seus filhos

Uma casa condenada é o que sou

Um cachorro sentado à cova do dono sou

Mas tudo pensado e considerado, tu, nem cova tens, e eu

Não estava lá, nem mesmo por perto estava

Na hora em que tu partiste.


31 de dezembro de 2006.

Ave, mãe! Os que vão viver te saúdam.


Texto e imagens ©Malu Baumgarten - todos os direitos reservados à autora

Words and photography ©Malu Baumgarten - all rights reserved

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