• Malu Baumgarten

De rios e rochas

Updated: Jun 24, 2020

Por viver no mundo das coisas não ditas

acho-me perdida

em sonhos e delírios

desfaço-me;

vivo e morro nas ondas de meu desejo.

Ele é o rochedo onde quero

ancorar meu barco, a ilha

onde meu coração se abriga.

Ele é a dor que me tem acordada

quando dorme o mundo inteiro.

Ele vive

num mundo imaginário.

Não posso encontrar portas que o abram para mim

(são portas imaginárias)

Desfaço-me em pedaços,  e nos vazios de meu corpo

não encontro um só lugar

Onde por meu coração (por isso o trago na mão).

Por viver no mundo das coisas não ditas

encontro-me solitária, e ainda cheia

de palavras que não devo enunciar

e sentimento que não é meu para sentir.

Quando busco meus pedaços,

encontro-me outra,

uma que leva a marca das coisas não ditas,

dos olhos que sorriem meias-verdades,

do ciúme sem razão de ser.

Porque vivo no mundo das coisas não ditas,

lá faço dele minha casa, rochedo, ilha,

meu homem, se quiser;

Lá minha poesia pode ser pobre e ele há de ser vago

(e sou vagamente sua);

Lá, quedo-me no alto da colina,

deixo que o vento me carregue

e digo sim.

Sou inocente no mundo das coisas não ditas,

lá entrego meu coração nas mãos dele

Este coração que cresceu demais para servir em  peito

apertado por tal tristeza.

Texto e imagens ©Malu Baumgarten - todos os direitos reservados à autora

Words and photography ©Malu Baumgarten - all rights reserved

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